Um engenheiro civil brasileiro abandonou a construção civil, recrutou a esposa como sócia e transformou o hábito doméstico de fazer gelato artesanal na maior rede de gelaterias do país. A Grido Gelato — nome do negócio construído por Valter Lúcio de Oliveira e sua família a partir de um pequeno laboratório doméstico — opera hoje 240 lojas espalhadas pelo Brasil e movimenta R$ 500 milhões por ano, segundo informações divulgadas em junho de 2026.
A trajetória de Oliveira ilustra uma mudança de rota pouco comum entre profissionais da engenharia: a troca de canteiro de obras por uma gelateria não nasceu de um plano de negócios estruturado, mas de uma obsessão pela receita perfeita de gelato italiano. O que começou como hobby na cozinha de casa virou franquia, depois rede nacional — e agora referência no segmento de gelatos no mercado brasileiro de food service.
O setor de franquias alimentares no Brasil segue em expansão. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o franchising de alimentação fora do lar cresceu consistentemente nos últimos anos, puxado por marcas que combinam baixo ticket médio com alto volume de atendimentos — exatamente o modelo que a rede de gelatos adotou para escalar do laboratório doméstico às centenas de unidades franqueadas.
Da engenharia à sorveteria: como a transição foi estruturada
Oliveira trabalhou por anos no mercado de construção civil antes de decidir que o gelato artesanal seria sua nova área de atuação. A esposa entrou como sócia desde o início — uma decisão que, segundo o relato da história da rede, foi central para estruturar a operação nos primeiros anos, quando a empresa ainda não tinha capital para contratar gestores externos.
O modelo de franchising foi o caminho encontrado para expandir sem comprometer o capital próprio. Cada nova unidade aberta por um franqueado representa receita de royalties e taxa de franquia para a holding controlada pelo casal — um modelo de negócio que o setor de construção civil conhece bem na forma das grandes incorporadoras que crescem via capital de terceiros.
A rede atingiu 240 lojas em operação. O faturamento consolidado de R$ 500 milhões anuais posiciona a marca como a maior rede de gelaterias do Brasil em número de unidades, de acordo com as informações divulgadas. O ticket médio do produto — gelato artesanal a preços acessíveis — permitiu capilaridade em praças de diferentes portes, de capitais a cidades do interior.

O que a trajetória revela sobre empreendedorismo no setor de alimentos
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Se você conhece o ritmo da construção civil, sabe que o empreendedor do setor tem uma habilidade específica: gerenciar projetos com muitas variáveis simultâneas, fornecedores, prazos e controle de qualidade. Essa competência, segundo especialistas em franchising, é transferível para a gestão de redes com múltiplas unidades — onde padronização de processos e controle de insumos são críticos.
Na prática, redes de franquia alimentar com crescimento acelerado costumam enfrentar o mesmo gargalo que empreiteiras em fase de expansão: a dificuldade de replicar qualidade em escala sem perder o padrão do produto original. No caso de gelatos, a logística da cadeia de frio adiciona uma camada de complexidade operacional que exige o mesmo rigor de controle de uma obra bem gerenciada.
A decisão de manter a sócia fundadora com participação ativa na gestão também é um padrão recorrente em empresas familiares que escalam com sucesso no Brasil — e que evitam a armadilha de crescer rápido demais sem governança adequada.
Próximos movimentos e perspectiva de mercado
Com 240 unidades e R$ 500 milhões em faturamento anual, a rede entra em um estágio em que as decisões estratégicas envolvem internacionalização, abertura de capital ou novos segmentos de produto. Não há informação confirmada sobre planos nesse sentido até o momento da publicação desta notícia.
O mercado brasileiro de gelatos e sorvetes premium segue atraindo novos entrantes, o que tende a intensificar a concorrência por pontos comerciais de alto fluxo — especialmente em shoppings e corredores gastronômicos das grandes cidades. Para a rede já estabelecida, o volume de unidades franqueadas representa tanto uma vantagem competitiva de escala quanto um desafio contínuo de padronização e suporte ao franqueado.
A história do engenheiro que largou o canteiro para fazer gelato ganhou repercussão nacional em junho de 2026. O caso reacende o debate sobre reconversão profissional em setores de alta qualificação técnica — e sobre como competências da construção civil, como gestão de projetos e controle de processos, migram com eficiência para outros mercados.



