Relatório de dados · 3º trimestre de 2026

Salário de quem está sendo contratado agora é até 28% menor que o de quem já trabalha na função, mostra levantamento de dados oficiais da construção civil

Fonte: VaiVolta, com base em dados públicos CAGED (admissões, últimos 12 meses) e RAIS (vínculos ativos, ano-base 2025).

Quem acabou de ser contratado como engenheiro civil ganha, em mediana, 28,2% a menos do que quem já está empregado na função. O padrão se repete em quase toda a construção civil: cruzando os dados de admissão do CAGED com os de quem já tem carteira assinada na RAIS, o levantamento a seguir mostra que, em 7 das 9 profissões analisadas, o salário de entrada fica abaixo do salário de quem já está na casa — e a distância entre estados chega a mais que dobrar o valor pago pelo mesmo ofício.

Engenheiro e mestre de obras analisando planilha de custos e planta de obra em canteiro de construção

Quem contrata agora paga menos que quem já emprega

Comparação entre a mediana salarial de admissão (CAGED) e a mediana de quem já está empregado na função (RAIS), por profissão.

ProfissãoCAGED (admissão)RAIS (vínculo ativo)Diferença
Engenheiro CivilR$ 7.850R$ 10.064+28.2%
EletricistaR$ 2.420R$ 2.948+21.8%
Bombeiro CivilR$ 2.430R$ 2.908+19.6%
EncanadorR$ 2.448R$ 2.681+9.5%
Carpinteiro de ObrasR$ 2.440R$ 2.602+6.7%
Armador de Estrutura de ConcretoR$ 2.473R$ 2.521+1.9%
PedreiroR$ 2.387R$ 2.421+1.4%
Pintor de ObrasR$ 2.361R$ 2.310-2.2%
GesseiroR$ 2.303R$ 2.014-12.5%

Em 7 das 9 profissões com dado RAIS já ingerido, quem já está empregado ganha mais que a mediana de quem está sendo contratado agora — maior diferença em Engenheiro Civil (+28,2%). Pintor de Obras e Gesseiro são exceção: nesses dois casos, a mediana de admissão (CAGED) ficou acima da mediana de quem já trabalha (RAIS).

Achado do levantamento

São Paulo não é o estado que mais paga o pedreiro — o Paraná paga mais

SP concentra a maior amostra de admissões de pedreiro do país (7.836 no período), o que alimenta a percepção de que também é onde se ganha mais. Os dados de mediana salarial (CAGED) mostram outra coisa: o Paraná paga mais que São Paulo, com uma amostra grande o suficiente pra não ser ruído — mais de 2 mil admissões no período.

Paraná

R$ 2.946

n = 2.508 admissões

São Paulo

R$ 2.665

n = 7.836 admissões

Achado do levantamento

Engenheiro civil ganha quase 4 vezes a média dos ofícios manuais da construção civil

A mediana de contratação de engenheiro civil (CAGED) é 308% maior que a média das outras 14 profissões publicadas no hub — pedreiro, eletricista, servente e demais ofícios que não exigem formação superior. Técnico em edificações, que exige formação técnica formal mas não superior, tem um prêmio bem mais modesto: 19.3% acima da mesma média.

Engenheiro Civil

R$ 9.899

Técnico em Edificações

R$ 2.895

Média dos ofícios

R$ 2.427

Sudeste paga 45% a mais que o Norte na construção civil

Média salarial (CAGED) agregando as 16 profissões publicadas, por região — cada combinação profissão×estado com amostra confiável conta uma vez.

1º SudesteR$ 3.277
2º SulR$ 2.931
3º Centro-OesteR$ 2.673
4º NordesteR$ 2.473
5º NorteR$ 2.259

Sudeste (R$ 3.277) paga 45% a mais que o Norte (R$ 2.259), a região com a menor média entre as cinco.

Onde cada profissão paga mais e paga menos

Estado com maior e menor mediana salarial (CAGED), só considerando UF com no mínimo 30 admissões no período.

ProfissãoPaga maisPaga menosVariação
Engenheiro CivilRJ R$ 13.422RS R$ 6.500+106.5%
Técnico em EdificaçõesES R$ 4.000RN R$ 2.000+100.0%
EncanadorES R$ 3.541RN R$ 1.822+94.4%
Bombeiro CivilDF R$ 3.853RJ R$ 2.050+87.9%
Mestre de ObrasRJ R$ 4.630PB R$ 2.500+85.2%
Carpinteiro de ObrasSC R$ 3.000RN R$ 1.822+64.7%
GesseiroRJ R$ 2.935MS R$ 1.800+63.0%
PedreiroPR R$ 2.946RN R$ 1.822+61.7%
Pintor de ObrasRJ R$ 2.864RN R$ 1.822+57.2%
SerralheiroAM R$ 2.500RO R$ 1.688+48.1%
MarceneiroPR R$ 2.391RN R$ 1.621+47.5%
Armador de Estrutura de ConcretoRJ R$ 2.935RN R$ 2.014+45.7%
VidraceiroSC R$ 2.250BA R$ 1.653+36.1%
Operador de Máquinas PesadasRJ R$ 3.062RO R$ 2.257+35.7%
Servente de ObrasSP R$ 2.190AL R$ 1.621+35.1%
EletricistaRJ R$ 2.869PA R$ 2.197+30.6%

Engenheiro Civil, Bombeiro Civil e Vidraceiro têm cobertura mais baixa de UF com amostra confiável (9-10 de 27) — a variação nesses três é real, mas a comparação cobre menos estados que nas demais profissões da tabela.

Top 5 estados por profissão (exemplos)

Pedreiro — top 5 estados

1º PRR$ 2.946 (n=2.508)
2º RJR$ 2.935 (n=1.298)
3º SCR$ 2.809 (n=2.469)
4º SPR$ 2.665 (n=7.836)
5º ESR$ 2.622 (n=720)

Eletricista — top 5 estados

1º RJR$ 2.869 (n=56)
2º PRR$ 2.750 (n=93)
3º SPR$ 2.666 (n=421)
4º ALR$ 2.607 (n=15)
5º AMR$ 2.568 (n=13)

Mestre de Obras — top 5 estados

1º RJR$ 4.630 (n=346)
2º PRR$ 4.598 (n=380)
3º MGR$ 4.100 (n=680)
4º SPR$ 4.096 (n=1.550)
5º DFR$ 4.030 (n=88)

Ranking completo por estado, pra todas as profissões, disponível no hub de salários da construção civil.

A escada salarial da construção civil

Ranking nacional das 16 profissões publicadas, média das UFs com amostra confiável (CAGED, n≥30).

#ProfissãoMédia nacional
1Engenheiro CivilR$ 9.899
2Mestre de ObrasR$ 3.693
3Técnico em EdificaçõesR$ 2.895
4Operador de Máquinas PesadasR$ 2.761
5Bombeiro CivilR$ 2.577
6EncanadorR$ 2.498
7Carpinteiro de ObrasR$ 2.494
8Armador de Estrutura de ConcretoR$ 2.493
9EletricistaR$ 2.487
10GesseiroR$ 2.426
11PedreiroR$ 2.387
12Pintor de ObrasR$ 2.361
13SerralheiroR$ 2.136
14MarceneiroR$ 1.995
15VidraceiroR$ 1.935
16Servente de ObrasR$ 1.741

CLT ou autônomo? A diferença entre trabalhar registrado e por conta própria depende de quantos dias por mês e quantos meses por ano você efetivamente trabalha — não é um número único válido pra qualquer profissão. Use o simulador com os dados de Pedreiro ou Eletricista pra calcular com seus próprios números.

Como fizemos esse levantamento

Fizemos esse levantamento cruzando duas bases públicas do governo federal: o CAGED (que registra quem está sendo contratado agora, nos últimos 12 meses) e a RAIS (que mostra quem já está empregado na função). Os dados vêm direto dos microdados oficiais, via basedosdados.org/BigQuery.

Olhamos os últimos 12 meses de admissões disponíveis na base: de outubro de 2025 a setembro de 2026. Na RAIS, usamos o ano-base mais recente disponível: 2025.

Analisamos cada profissão estado por estado, e só usamos um número quando havia pelo menos 30 admissões registradas naquele estado — um piso bem mais rígido do que o mínimo da base (10). Adotamos esse critério depois de perceber que, com uma amostra menor, uma variação salarial aparecia inflada por um caso isolado, sem representar a realidade daquele estado.

Encontramos uma linha do RAIS de Pedreiro com o estado registrado como "IGNORADO" (uma categoria do IBGE pra vínculo sem UF definida) e decidimos tirá-la de todas as contas, pra não distorcer o resultado.

Também cogitamos comparar qual profissão mais cresceu em admissões no período, mas descartamos essa ideia nesta edição: a base ainda tem só uma janela de tempo do CAGED e um ano de RAIS, então não dá pra medir crescimento sem ter pelo menos dois períodos pra comparar. Fica pra uma próxima edição.

Consultamos esses dados em 23 de setembro de 2026.

Como citar este dado

Fonte: VaiVolta, com base em dados públicos RAIS/CAGED (período CAGED: 2025-10 a 2026-09; RAIS ano-base 2025). Livre para citar com atribuição e link para https://vaivolta.com.br/imprensa/relatorio-salarios-construcao-civil-2026-q3.

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